
Quando procrastinar não é preguiça
Você já teve vontade de fazer alguma coisa, sabia que precisava fazer, até se prometeu que faria… mas, mesmo assim, não conseguiu?
Você adia um dia. Depois outro. Quando percebe, já se passou uma semana, duas, talvez quase um mês.
E então começa a cobrança:
“Por que eu não consigo fazer o que me proponho?”
“Será que sou preguiçoso?”
“Por que eu começo e não consigo continuar?”
A primeira coisa que precisamos entender é que nem toda procrastinação nasce da falta de disciplina.
Às vezes, existe algo por trás dela que precisa ser observado.
Nem sempre é falta de vontade
Quando estamos emocionalmente bem, algumas tarefas parecem simples. Levantar, sair de casa, estudar, trabalhar em um projeto, fazer exercícios ou organizar alguma coisa.
Mas quando estamos emocionalmente sobrecarregados, até aquilo que normalmente seria fácil pode parecer muito mais difícil.
A vontade pode existir.
O planejamento pode existir.
Mas a capacidade de transformar aquela intenção em ação pode estar reduzida.
E é justamente nesse momento que muitas pessoas começam a se chamar de preguiçosas.
A procrastinação pode ser um sinal de que algo não está bem
Nem sempre o problema está na tarefa.
Às vezes, está na maneira como estamos chegando até ela.
Eu mesma já passei por isso.
Durante quase um mês, eu me propus a ir à academia. Eu planejava, pensava no horário e até deixava a roupa separada para o dia seguinte.
Mas chegava o dia seguinte e eu não conseguia.
Às vezes, eu não tinha nem forças para colocar a roupa que havia deixado preparada.
E aquilo se repetia.
Eu queria ir. Eu tinha me proposto a ir. Eu planejava ir.
Mas simplesmente não conseguia sair do lugar.
E naquele período, eu estava emocionalmente desestabilizada.
Foi então que percebi que nem sempre era simplesmente uma questão de disciplina ou falta de vontade. Às vezes, o nosso emocional também interfere naquilo que conseguimos fazer.
E talvez você já tenha vivido algo parecido.
Talvez tenha passado dias ou semanas querendo fazer alguma coisa, sabendo que precisava começar, mas sentindo uma dificuldade enorme para sair do lugar.
É fácil olhar para isso e pensar: “É só ter disciplina.”
Mas a realidade emocional de cada pessoa é diferente.
Por isso, antes de perguntar apenas “como faço para parar de procrastinar?”, talvez também seja importante perguntar:
“O que está tornando tão difícil começar?”
A cobrança pode piorar o problema
Existe um ciclo muito comum:
Você não faz o que queria.
Depois se culpa.
A culpa aumenta a pressão.
A pressão torna a tarefa ainda mais pesada.
E você acaba adiando novamente.
Então se culpa outra vez.
É como se, além de enfrentar a dificuldade inicial, você ainda precisasse carregar o peso de acreditar que está falhando.
Por isso, produtividade não deveria significar viver em guerra consigo mesmo.
Nem todo conselho de produtividade funciona para todo mundo
Hoje, existem muitos conteúdos falando sobre procrastinação.
Você assiste a um vídeo esperando sair dali com vontade de mudar.
O vídeo diz para acordar mais cedo, criar uma rotina, estabelecer metas, ter disciplina, começar imediatamente, não dar desculpas.
E talvez, para algumas pessoas, aquilo realmente ajude.
Mas, para outras, pode acontecer justamente o contrário.
Em vez de sair do vídeo se sentindo motivada, a pessoa pode sentir que deu um passo para trás.
Porque ela olha para tudo aquilo e pensa:
“Eu já estou tentando.”
“Por que eu não consigo fazer isso?”
“Será que tem alguma coisa errada comigo?”
E começa então uma busca incessante por uma fórmula.
Mais um vídeo.
Mais uma técnica.
Mais um método.
Mais uma rotina.
Mais uma promessa de que, dessa vez, finalmente vai conseguir mudar.
E, sem perceber, a busca por produtividade pode se transformar em produtividade tóxica.
Já parou para pensar que nem todo mundo está vivendo o mesmo momento emocional?
Que uma pessoa pode assistir a um vídeo e sentir uma enorme vontade de agir, enquanto outra, naquele mesmo dia, pode assistir e se sentir ainda mais pressionada?
Não existe uma receita de bolo que funcione da mesma maneira para todo mundo.
E quando alguém já está emocionalmente fragilizado, colocar ainda mais pressão pode tornar o caminho mais difícil.
Talvez, naquele momento, a pessoa não precise de mais uma cobrança.
Talvez precise primeiro entender o que está acontecendo dentro dela.
Não é linear para todo mundo
A mudança também não acontece em uma linha reta.
Existem dias em que conseguimos.
Existem dias em que conseguimos menos.
E existem dias em que simplesmente não conseguimos.
Isso não significa necessariamente que voltamos ao ponto de partida.
Um dia difícil não apaga os dias em que avançamos.
Talvez a gente precise parar de enxergar a mudança como uma escada em que todos os dias precisamos subir um degrau.
Às vezes, damos dois passos para frente.
Às vezes, um para trás.
Às vezes, ficamos parados.
E tudo bem.
O importante é entender que o caminho de cada pessoa é diferente.
Não espere estar 100% motivado
Outro problema é acreditar que precisamos sentir vontade para começar.
Esperamos aquele dia em que acordaremos motivados, dispostos e prontos para mudar tudo.
Mas esse dia pode não chegar da maneira que imaginamos.
Às vezes, é melhor diminuir o tamanho do primeiro passo.
Foi algo que comecei a entender também na minha própria experiência.
Se a ideia é ir à academia, talvez você não precise pensar em fazer uma aula inteira, cumprir tudo perfeitamente ou recuperar aquilo que deixou de fazer.
Vá.
Faça dez minutos.
Se não conseguir fazer a aula toda, tudo bem.
Às vezes, só chegar à academia, entrar e começar já é um passo.
Se você se sentir bem, continue.
Se não se sentir, volte para casa.
Isso não significa que você fracassou.
Você tentou.
E talvez amanhã seja possível tentar novamente.
Em vez de pensar:
“Preciso fazer tudo.”
Pode ser:
“Hoje eu só preciso começar.”
O objetivo não é transformar um pequeno passo em uma obrigação gigantesca.
É tornar o começo possível.
Começar pequeno também é progresso
Existe uma diferença entre desistir e começar pequeno.
Se você não consegue fazer tudo, faça uma parte.
Se não consegue uma hora, faça dez minutos.
Se não consegue terminar, comece.
Se não consegue fazer todos os dias, tente encontrar uma frequência possível.
Pequenos movimentos também quebram a inércia.
E, muitas vezes, o mais difícil não é realizar a tarefa.
É dar o primeiro passo.
Às vezes, o primeiro passo é simplesmente colocar a roupa.
Abrir o computador.
Escrever uma linha.
Sair de casa.
Entrar na academia.
Ou simplesmente dizer para si mesmo:
“Eu não preciso conseguir tudo hoje. Só preciso tentar.”
Um passo de cada vez
Hoje, cada vez que consigo ir à academia, ainda considero uma pequena conquista.
Um passo de cada vez. Um dia de cada vez.
E existe algo interessante nisso: quando consigo cumprir aquilo que me propus, não sinto apenas que fui à academia. Sinto uma espécie de recompensa por ter conseguido vencer aquele primeiro passo.
Talvez seja porque, depois de passar tanto tempo querendo fazer e não conseguindo, cada vez que consigo ir, percebo que sou capaz de continuar.
Não preciso fazer tudo de uma vez.
Não preciso ser perfeita.
Só preciso continuar dando um passo de cada vez.
E talvez seja assim com muitas coisas na vida.
Nem sempre precisamos de uma grande mudança.
Às vezes, precisamos apenas conseguir fazer hoje aquilo que ontem parecia impossível.
Antes de se cobrar, tente se compreender
Talvez a pergunta não precise ser apenas:
“Como faço para ser mais produtivo?”
Talvez também seja:
“Como eu estou?”
Porque produtividade não acontece em um corpo e em uma mente separados das emoções.
Somos um conjunto.
E compreender isso não significa usar o emocional como desculpa para nunca fazer aquilo que precisamos fazer.
Significa apenas reconhecer que existem momentos em que precisamos de mais compreensão, ajustar nossas expectativas e encontrar uma maneira possível de continuar.
Você não precisa transformar todos os seus dias em dias perfeitos.
Talvez você só precise parar de exigir de si mesmo um passo maior do que consegue dar hoje.
Às vezes, o que você precisa é apenas encontrar força para dar o próximo passo.
E o próximo passo não precisa ser grande.
Só precisa ser possível.
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