Às vezes, tudo o que queremos é ser ouvidos
Tenho a impressão de que, hoje, as pessoas estão cada vez mais cansadas, ocupadas e preocupadas com os próprios problemas. E, nesse meio, escutar alguém de verdade parece ter se tornado algo raro.
Quando alguém nos procura para conversar, muitas vezes já pensamos em uma resposta, em um conselho ou em uma maneira de resolver aquilo que está sendo contado.
Mas nem sempre a pessoa quer uma solução.
Às vezes, ela só quer falar.
Quer colocar para fora aquilo que ficou acumulado durante dias, meses ou até anos. Quer organizar os próprios pensamentos enquanto fala. Quer ouvir a própria voz dizendo aquilo que, dentro da cabeça, parece confuso demais.
E talvez seja por isso que tantas pessoas contem a própria vida para alguém que acabou de conhecer.
Pense em um salão de beleza, por exemplo.
Uma pessoa senta para fazer o cabelo, as unhas ou algum procedimento estético e, pouco tempo depois, começa a contar sobre o relacionamento, os filhos, a família, os problemas, os medos e as frustrações.
Às vezes, ela nem conhece direito quem está ali.
E, ainda assim, fala.
Talvez porque aquele momento ofereça uma coisa que nem sempre encontramos no nosso cotidiano: alguém disponível para ouvir.
Não estou dizendo que um salão de beleza seja uma terapia — não é. Mas existe algo terapêutico na possibilidade de verbalizar o que sentimos. Quando colocamos uma experiência em palavras, às vezes conseguimos enxergá-la de outra maneira.
Falar também pode ser uma forma de organizar aquilo que estava bagunçado dentro de nós.
E existe uma diferença enorme entre alguém ouvir você enquanto espera a própria vez de falar e alguém realmente prestar atenção no que você está dizendo.
Talvez o que esteja faltando não sejam pessoas para dar conselhos.
Talvez estejam faltando pessoas dispostas a permanecer em silêncio tempo suficiente para ouvir a história inteira.
Porque nem toda dor precisa imediatamente de uma resposta.
Às vezes, antes de qualquer solução, existe apenas uma necessidade muito simples:
“Deixa eu falar. Só me escuta.”

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