A dor de se sentir atrasado na própria vida

Existe uma dor que quase ninguém fala sobre.

É olhar para a própria vida e ter a sensação de que todo mundo está seguindo em frente, enquanto você parece estar parado no mesmo lugar.

Você vê pessoas começando coisas novas, construindo relacionamentos, viajando, trabalhando, realizando sonhos. E, mesmo sabendo que cada pessoa tem seu próprio tempo, alguma coisa dentro de você insiste em perguntar:

“E eu? Quando vai ser a minha vez?”

Às vezes você nem sabe exatamente o que está faltando.
Só sente que deveria estar mais longe.

Começa a comparar o seu capítulo com o capítulo de outras pessoas. E aquilo que antes parecia apenas uma diferença de caminhos começa a parecer um fracasso pessoal.

Você olha para trás e pensa em tudo que poderia ter feito diferente.

Olha para o presente e sente que não está onde imaginava.

Olha para o futuro e não consegue enxergar quando as coisas finalmente vão mudar.

E talvez a parte mais dolorosa seja perceber que você não está necessariamente sem fazer nada.

Você está apenas cansado.

Cansado de começar e parar.
Cansado de esperar.
Cansado de sentir que o tempo está passando.

E existe uma coisa difícil de aceitar:

nem toda vida acontece no ritmo que imaginamos.

Às vezes, enquanto parece que você está parado, existe uma parte sua tentando simplesmente sobreviver aos dias.

E talvez isso também seja caminhar.

Mesmo que ninguém veja.

Mesmo que você esteja, neste momento, sem esperança, se punindo por achar que não existe saída, tente olhar para tudo o que já conquistou até o presente momento.

Talvez você mude. Talvez não.

Mas se comparar adoece a alma.

Nem sempre a grama do vizinho é mais verde. As pessoas mostram aquilo que querem que você veja, mas, nos bastidores, existem pessoas sentindo um vazio inexplicável porque têm tudo e, mesmo assim, não conseguem ser felizes.

Hoje, na era digital, as pessoas não querem mostrar suas fraquezas e escolhem exibir apenas o lado bom.

Então, a comparação começa a te consumir.

Você está fragilizado, buscando uma solução, mas conhece pessoas nessa mesma situação que estão postando uma vida de novela. Porém, depois que desligam a câmera, sentem um vazio.

Mesmo tendo alguém ao lado, a solidão aparece.

Às vezes, a depressão.

O autojulgamento também.

Você aponta o dedo para si mesmo e deseja a vida de alguém porque acredita que ser feliz é estar naquele nível.

É claro que existem pessoas felizes e em paz, que sentem gratidão por aquilo que conquistaram. Porém, não sabemos o esforço que foi necessário, nem as renúncias feitas para chegar até aquele lugar.

Eu não tenho a fórmula mágica.

Porque, se fosse fácil, eu também não me sentiria assim.

Já foi muito grande o meu desejo de estar naquele lugar, mas entendi que a minha história também tem valor.

Só eu sei o que a autocobrança e a comparação fazem com a minha vida.

Com a minha autoconfiança.

Com a minha autoestima.

Com a minha motivação.

Você começa algo, para no meio do caminho e acredita que não é capaz.

É como iniciar uma dieta e, quando sai do planejamento, desistir completamente.

É uma montanha-russa de sentimentos autodestrutivos.

Mas uma coisa eu aprendi:

eu também posso olhar para mim e perceber que isso não é uma sentença final.

E que não existe um dia específico para recomeçar.

Eu não escolhi fazer um blog de autoajuda.

Escolhi falar sobre aquilo que já experimentei.

Porque você só conhece a dor do outro quando passa por algo semelhante.

E, caso esteja nesse momento da sua vida, lembre-se de que você está assim agora. Isso não é uma sentença de que permanecerá assim para sempre.

A maioria das pessoas assiste a vídeos, faz buscas e procura uma alternativa para sair daquele estado.

Já assistiu a incontáveis conteúdos e, mesmo assim, não conseguiu avançar.

Hoje é fácil se intitular expert em determinado segmento, construir uma autoridade e, no final, querer vender alguma coisa como uma fórmula mágica.

E você, sentindo-se fragilizado e querendo, com todas as forças, mudar, compra aquele produto.

No fim, descobre que, na prática, não era aquilo.

Dá para contar nos dedos quem realmente vive o que vende.

Somos bombardeados por informações o tempo todo, e isso gera um cansaço mental.

Então vem a comparação.

Eu sei que estar mergulhado na autocobrança nos faz tomar decisões precipitadas.

Se alguém conseguiu sair da pobreza, queremos saber o caminho para também chegar àquele patamar.

Hoje é fácil viver uma vida de ilusão com o alcance das redes sociais, e isso acaba minando a confiança em si mesmo.

Falo isso porque eu também estive assim.

Fiz planos para 2027 para um projeto e, ao mesmo tempo, isso me causou ansiedade, porque ainda está longe e existem muitas variáveis até lá.

Estou aprendendo a lidar comigo.

Sou uma pessoa que quer tudo para ontem.

Esperar, para mim, é um desafio.

Então, estou olhando para isso sem me agredir e sem achar que estou atrasada.


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